Dividir as compras entre vários mercados: como economizar sem gastar mais no caminho
Fazer a compra inteira em um único supermercado está ficando menos comum. Com os preços ainda pesando no orçamento, muitos consumidores passaram a dividir a lista entre diferentes lugares: supermercado, atacarejo, feira, sacolão, lojas de bairro e até programas municipais de desconto.
Segundo levantamento citado pela Prefeitura de São Paulo, o gasto médio mensal em supermercados chegou a R$ 1.073,98, e muitos consumidores já dividem as compras entre até quatro redes diferentes.
A ideia parece simples: comprar cada coisa onde estiver mais barato. Mas tem um detalhe importante. Se a pessoa não planejar bem, a economia pode ir embora no transporte, no combustível, no tempo perdido ou nas compras por impulso.
Por isso, a compra dividida pode ser uma boa estratégia, mas precisa de organização.
Por que a compra do mês está sendo dividida
Durante muito tempo, a compra do mês era feita em um só lugar. A família escolhia um supermercado, enchia o carrinho e resolvia quase tudo de uma vez.
Hoje, esse comportamento mudou. O consumidor está mais atento aos preços e mais disposto a comparar. Em muitos casos, a compra acaba ficando assim:
- atacarejo para arroz, óleo, café, produtos de limpeza e itens de maior volume;
- supermercado para ofertas específicas da semana;
- feira ou sacolão para frutas, legumes e verduras;
- mercado de bairro para reposições pequenas e urgentes;
- programas de desconto para famílias que se encaixam nos critérios.
Esse tipo de divisão faz sentido porque nem sempre o mercado mais barato para arroz é o mais barato para hortifrúti. Nem sempre o atacarejo compensa para quem compra pouca quantidade. E nem toda promoção de aplicativo vale mais do que a oferta da feira.
O segredo é parar de pensar em “mercado mais barato” e começar a pensar em produto mais barato por lugar.
O que costuma valer a pena em cada tipo de loja
Cada formato de loja tem pontos fortes e fracos. Saber isso ajuda a montar uma compra mais eficiente.
Atacarejo
Costuma valer mais a pena para produtos de maior volume ou maior duração. Entram aqui arroz, feijão, açúcar, café, óleo, papel higiênico, sabão em pó, detergente e alguns congelados.
Mas é preciso cuidado. Comprar muito só porque o preço unitário está menor pode virar desperdício se o produto vencer, estragar ou ficar parado em casa.
Supermercado tradicional
É bom para aproveitar ofertas pontuais. Carnes, frango, leite, iogurte, massas, molho de tomate e produtos de marca podem aparecer com bons descontos em dias específicos.
Também é onde entram muitos clubes de desconto e ofertas por aplicativo. Antes de ir ao caixa, vale conferir se o desconto depende de cadastro, CPF ou quantidade mínima.
Feira e sacolão
São boas opções para frutas, legumes e verduras, principalmente quando o consumidor consegue comparar qualidade e preço no momento da compra.
Produtos com boa entrada no atacado, como abóbora, mandioca, chuchu, brócolis, couve e maxixe, podem aparecer com preços melhores nesses canais. Mas o preço varia bastante por região e horário.
Mercado de bairro
Nem sempre é o mais barato, mas pode evitar deslocamentos desnecessários. Para compras pequenas, como pão, leite, ovos ou algum item esquecido, ele pode compensar pelo tempo economizado.
A conta muda quando a pessoa pega carro, ônibus ou aplicativo só para comprar pouca coisa. Às vezes, pagar alguns centavos a mais perto de casa sai mais barato no total.
Quando a compra dividida realmente economiza
Dividir a compra só funciona quando a economia dos produtos é maior que o custo para buscar esses produtos.
Antes de sair passando em três ou quatro lugares, vale fazer uma conta simples:
- quanto vou economizar nos produtos?
- quanto vou gastar com transporte ou combustível?
- quanto tempo vou gastar nesse deslocamento?
- existe risco de comprar coisa desnecessária em cada parada?
Se a diferença for pequena, talvez não compense. Por exemplo: economizar R$ 8 em um mercado mais distante pode não valer a pena se você gastar R$ 12 de condução ou combustível para chegar lá.
Agora, se a diferença for grande em itens de consumo frequente, como arroz, café, carnes, frango ou produtos de limpeza, a visita extra pode fazer sentido.
Como montar uma lista por estabelecimento
Uma forma simples de organizar a compra é separar a lista por tipo de produto.
No atacarejo:
- arroz;
- feijão;
- café;
- óleo;
- produtos de limpeza;
- papel higiênico;
- itens de maior duração.
No supermercado:
- carnes em promoção;
- frango;
- laticínios;
- molho de tomate;
- massas;
- ofertas de aplicativo;
- produtos com desconto real no folheto.
Na feira ou sacolão:
- frutas da semana;
- verduras;
- legumes;
- raízes;
- produtos com boa aparência e preço por quilo competitivo.
No mercado de bairro:
- compras pequenas;
- itens esquecidos;
- produtos urgentes;
- reposição rápida durante a semana.
Essa divisão evita aquele problema clássico: entrar no mercado para comprar “só três coisas” e sair com uma sacola cheia de itens que nem estavam na lista.
Folhetos e encartes ajudam a decidir antes de sair de casa
Uma das formas mais práticas de evitar deslocamento à toa é olhar os folhetos antes de ir ao mercado. Isso ajuda a comparar promoções, ver quais produtos estão em destaque e decidir se vale passar em mais de uma loja.
No Ofertas de Supermercados, você pode acompanhar folhetos e encartes de mercados com promoções diárias. Isso facilita bastante para quem quer montar uma compra dividida sem ficar pulando de site em site ou dependendo só do que aparece na porta da loja.
A dica é simples: antes de sair, confira as ofertas dos mercados próximos, anote os itens que realmente compensam e monte um roteiro curto. Se duas lojas boas ficam no mesmo caminho, pode valer a pena. Se uma delas exige um grande desvio por causa de uma promoção pequena, provavelmente não compensa.
Cuidado com falsas promoções
Nem toda placa de oferta significa economia. Algumas promoções parecem boas, mas perdem força quando a gente olha o preço por quilo, litro ou unidade.
Antes de colocar no carrinho, compare:
- preço por quilo em carnes, frutas, legumes e frios;
- preço por litro em leite, óleo, bebidas e produtos de limpeza;
- preço por unidade em papel higiênico, ovos, sabonete e produtos embalados;
- validade, principalmente em laticínios, carnes e produtos refrigerados;
- quantidade mínima exigida para o desconto.
Também vale desconfiar de promoção que obriga a comprar muito mais do que a família consome. Se o produto estragar ou ficar esquecido no armário, a economia desaparece.
Armazéns Solidários podem ajudar quem tem direito
Em São Paulo, os Armazéns Solidários aparecem como uma alternativa para famílias inscritas no CadÚnico. Segundo a Prefeitura, os descontos informados ficam entre 30% e 50%, dependendo dos produtos e da unidade.
Para quem se encaixa nos critérios, pode ser uma opção importante dentro da estratégia de compra dividida. A família pode usar o programa para parte dos itens básicos e completar o restante em supermercados, feiras ou atacarejos.
O ponto principal é verificar quem tem direito, quais unidades estão em funcionamento e quais produtos estão disponíveis. Como em qualquer compra, vale comparar antes de assumir que tudo será automaticamente mais barato.
Como evitar gastar mais com deslocamento
A compra dividida precisa de limite. Passar em muitos lugares no mesmo dia pode cansar, aumentar o gasto com transporte e abrir espaço para compras por impulso.
Uma boa regra é escolher no máximo dois ou três pontos por semana:
- um lugar para os itens básicos;
- um lugar para hortifrúti;
- um lugar extra apenas se houver uma promoção forte.
Também ajuda montar um roteiro por proximidade. Se o atacarejo fica perto da feira, ótimo. Se o supermercado em promoção fica do outro lado da cidade, talvez a economia não pague o deslocamento.
Para quem compra de carro, vale considerar combustível e estacionamento. Para quem usa transporte público, vale considerar condução, tempo e peso das sacolas.
Exemplo prático de compra dividida
Imagine uma família que precisa comprar arroz, café, frango, frutas, legumes, produtos de limpeza e itens para o café da manhã.
Uma divisão possível seria:
- atacarejo: arroz, café, óleo, sabão em pó e papel higiênico;
- supermercado: frango, leite, iogurte e produtos em oferta no folheto;
- feira ou sacolão: frutas, verduras, mandioca, abóbora, chuchu, brócolis e maxixe, se estiver com bom preço.
Essa estratégia só funciona bem se a pessoa já souber o que vai comprar em cada lugar. Sem lista, a chance de gastar mais aumenta bastante.
Resumo para economizar sem complicar
Dividir as compras entre vários mercados pode ajudar a economizar, principalmente em um momento em que o gasto mensal com supermercado passa de R$ 1 mil para muitas famílias. Mas a estratégia precisa ser bem planejada.
O ideal é comparar folhetos, verificar preço por unidade de medida, evitar deslocamentos longos por descontos pequenos e separar a lista por tipo de loja.
Atacarejo pode ser bom para itens de volume. Feira e sacolão podem ajudar no hortifrúti. Supermercado tradicional pode valer para promoções específicas. Programas como os Armazéns Solidários podem fazer diferença para quem tem direito.
No fim, a melhor compra não é a feita em mais lugares. É a feita com mais critério.